E como o sono era grande os pensamentos não paravam de fluir. As resistências baixavam e a sexta-feira à noite era quase igual a uma segunda qualquer. Pensava ainda, por quanto tempo continuaria a dobrar a perna sobre a cadeira, toda vez que parava para visualizar o mundo que se abria na tela do computador. Mesmo que cansasse, mesmo que doesse, mesmo que o medo das varizes pela má circulação a aterrorizassem, ela continuava insistindo em fazer o mesmo. Rapidamente colocou os dois pés no chão. Deixou a coluna ereta como mandava o manual, para logo em seguida voltar a dobrá-las. Era quase uma obsessão. Já fazia isso em qualquer lugar: no ônibus, no banco da praça, quando ficava nervosa.
No quarto tocava um James Brown que ela nunca tinha conseguido ouvir inteiro. Uma hora de uma remixagem que se não fosse tão boa, cansaria. Mais uma vez ela não iria ouvi-lo inteiro.
Tinha chegado a uma conclusão: o amor não trai, mas também não se sente traído. Por que as pessoas, quando querem ficar juntas, insistem em se podar? Isso não dizia respeito a ela. Responder a questão também não era a sua missão do final de semana. Queria muito mais.
Mostrando postagens com marcador Fábulas do cotidiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fábulas do cotidiano. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
50 Cent X Simon Reynolds
Tudo bem, vamos lá. Não sei se já começou, se já acabou, nem sei se foi. Deve estar acontecendo o show do 50 Cent na Passarela Nego Querido, aqui em Florianópolis. Chove demais, tá frio, e não tem programa pior para assistir - do que esse tal de 50 Cent - numa baía que pega o vento sul de frente.

Dizem que ele anda mais sociável, precisando de menos seguranças do que um "gangsta" precisaria. Esta no Brasil, em um turne para divulgação de um cd que se chama "Before I self destruction" de 2009, e prepara outro chamado "Black Magic", baseado na soul music de M
arvin Gaye e Curtis Mayfield. Não adianta. Adoro black music, qualquer uma, mas tem que ter "Ritmo".
Um show do 50 Cent remete diretamente para um texto do Simon Reynolds publicado na New Statesman em 1986. Crítico musical, Reynolds viveu uma era áurea para a opinião sobre o assunto. Escrevendo para diversos semanários e mensais, redige um texto que mistura o "no limits" de Lester Bangs com a fomalidade sociológica de Deleuze. Como resultado tem-se uma visão social da música, crítica bem separada nos dias de hoje do universo popular (capitalista soa muito chavão).
Bem, o texto. Em "Doente ou Doce: Hip-hop versus Indie Rock" Reynolds coloca o hip-hop como contestando o caminho que ele próprio segue: subir a qualquer preço, esbanjamento, sexo, violência, mulheres. Um gozo constante que camufla o autopreconceito.
Aí a gente começa a entender o porque o DJ do cara, o tal de Whoo Kid, faz declarações como as que fez. O que é difícil de entender são pessoas comprando uma realidade que não lhes pertence, como se fossem símbolo de status e sofisticação.
O que as músicas dizem não cabe a esse meio dizer, basta acessar o google e tirar suas próprias conclusões. Falta swing.

Dizem que ele anda mais sociável, precisando de menos seguranças do que um "gangsta" precisaria. Esta no Brasil, em um turne para divulgação de um cd que se chama "Before I self destruction" de 2009, e prepara outro chamado "Black Magic", baseado na soul music de M
arvin Gaye e Curtis Mayfield. Não adianta. Adoro black music, qualquer uma, mas tem que ter "Ritmo".Um show do 50 Cent remete diretamente para um texto do Simon Reynolds publicado na New Statesman em 1986. Crítico musical, Reynolds viveu uma era áurea para a opinião sobre o assunto. Escrevendo para diversos semanários e mensais, redige um texto que mistura o "no limits" de Lester Bangs com a fomalidade sociológica de Deleuze. Como resultado tem-se uma visão social da música, crítica bem separada nos dias de hoje do universo popular (capitalista soa muito chavão).
Bem, o texto. Em "Doente ou Doce: Hip-hop versus Indie Rock" Reynolds coloca o hip-hop como contestando o caminho que ele próprio segue: subir a qualquer preço, esbanjamento, sexo, violência, mulheres. Um gozo constante que camufla o autopreconceito.
Aí a gente começa a entender o porque o DJ do cara, o tal de Whoo Kid, faz declarações como as que fez. O que é difícil de entender são pessoas comprando uma realidade que não lhes pertence, como se fossem símbolo de status e sofisticação.
O que as músicas dizem não cabe a esse meio dizer, basta acessar o google e tirar suas próprias conclusões. Falta swing.
sábado, 28 de março de 2009
História sem fim...
Ela podia parar. Mas nunca foi a hora... Olhou o relógio. Só por hábito. Diminuiu os passos, tinha pouco tempo, mas sempre teve a liberdade de escolher. Não lembrava da noite anterior, mas também não parava para pensar, apenas contaram. Não lembra quem.
Olhou o relógio mais uma vez. Não sabe porquê, afinal, nunca se importou com o tempo. Ele que se preocupava com aquela que ele não conseguia dominar. Continuava tentando...
Talvez porque os alinhamentos cósmicos estivessem emanando energias exóticas, talvez porque tivesse bebido na noite anterior, talvez porque tivesse visto aquele programa inútil na televisão; ela se transformou.
Tornou-se inconsequente aos 30. Às dezoito horas e 30 minutos, algo incomodou. Algo. Sem definição. Jogou fora o contrato assinado consigo mesmo. Andou , andou, andou...dentro de si.
Resolveu sair. Alguma coisa queimava por dentro. E transformou em sarcasmo todas as palavras que expulsou pela boca. Mas ninguém escutou. Ela não deixou que escutassem.
Tinha consciência da acidez que corroia por dentro, e resolveu alimentá-la.
Foi em um restaurante mexicano, pediu tequila e alguma comida quente, muy caliente. Estava pronta.
Entrou no próximo bar. Descobriu que nada era como na noite anterior. Mas como havia sido a noite anterior? Onde havia estado? Aquela angústia ela já tinha jogado na lata de lixo de uma esquina qualquer. Não saber era só uma questão de bom senso.
Olhou o relógio mais uma vez. Não sabe porquê, afinal, nunca se importou com o tempo. Ele que se preocupava com aquela que ele não conseguia dominar. Continuava tentando...
Talvez porque os alinhamentos cósmicos estivessem emanando energias exóticas, talvez porque tivesse bebido na noite anterior, talvez porque tivesse visto aquele programa inútil na televisão; ela se transformou.
Tornou-se inconsequente aos 30. Às dezoito horas e 30 minutos, algo incomodou. Algo. Sem definição. Jogou fora o contrato assinado consigo mesmo. Andou , andou, andou...dentro de si.
Resolveu sair. Alguma coisa queimava por dentro. E transformou em sarcasmo todas as palavras que expulsou pela boca. Mas ninguém escutou. Ela não deixou que escutassem.
Tinha consciência da acidez que corroia por dentro, e resolveu alimentá-la.
Foi em um restaurante mexicano, pediu tequila e alguma comida quente, muy caliente. Estava pronta.
Entrou no próximo bar. Descobriu que nada era como na noite anterior. Mas como havia sido a noite anterior? Onde havia estado? Aquela angústia ela já tinha jogado na lata de lixo de uma esquina qualquer. Não saber era só uma questão de bom senso.
sábado, 26 de julho de 2008
SOBRE PRÍNCIPES E SAPOS
Ontem fui dormir cedo, principalmente para uma sexta-feira. Coloquei a cabeça no travesseiro e o celular começou a tocar, era uma amiga geminiana, sócia de uma grande operadora de telefonia celular. Não sei se vocês sabem, mas pessoas geminianas são regidas por Mercúrio, o planeta da comunicação (assim como eu, "cândida" virginiana), dessa forma adoram gastar seu latim. Também não conheço nenhuma pessoa nascida sob este signo que tenha feito pacto com a sanidade, mas enfim, o que quero dizer é que lá se foi meu sono destilar-se em uma hora e meia de conversa. Tudo bem, era ela quem estava pagando.
Mas foi dessa convenção via Embratel, que me surgiu a idéia de falar sobre príncipes e sapos. As mais variadas pautas estiveram presentes, mas teve uma em especial que me fez rachar o bico de tanto rir, levando-me a lembrar de várias outras histórias semelhantes: a capacidade que sapos e príncipes têm de se metamorfosearem um em outro.
A primeira história que me vem sempre a cabeça é de uma amiga que em uma bela manhã liga-me contando que tinha conhecido um belíssimo príncipe. Ele era alto, atlético, esportista, inteligente, usava um cavanhaque, entendia de arte e gostava de cinema. Um mês depois ele era barrigudo, ignorante, não existia coisa mais brega que aquele cavanhaque ridículo que ele insistia em usar, tinha um mau gosto desgraçado, falava o que não devia na hora em que não devia, era péssimo no esporte que praticava e cinema só gostava mesmo dos blockbusters. Ele era uma tragédia em forma humana. Pra mim tudo isso era uma
comédia.
Tenho uma amiga que não acredita em príncipes, para ela todos são sapos. E mesmo os que parecem príncipes ela move mundos e fundos para desmascarar o infeliz. Porque não é que ele tenha uma porção sapo, para ela todos são sapos em sua totalidade. Ela tenta "aceitá-los" assim, aproveitando para exercer seu sarcasmo e masoquismo.
Para uma outra todos são príncipes, mesmo que pareçam sapos. Ela tem fé. Na verdade os moçoilos acham que o sapo é ela. Após o primeiro beijo ela solta uma gosma pegajosa que tanto príncipes como sapos saem correndo na velocidade da luz. Tem também aquela que gosta mesmo é dos sapos, e eles nunca se transformam em príncipes. Ela adora um ogro.
Bem, sapos e príncipes não existem, assim como não existe perfeição. Isso tudo às vezes só pode ser resolvido com um psicanalista ou, quem sabe, uma boa dose de realidade.
Mas foi dessa convenção via Embratel, que me surgiu a idéia de falar sobre príncipes e sapos. As mais variadas pautas estiveram presentes, mas teve uma em especial que me fez rachar o bico de tanto rir, levando-me a lembrar de várias outras histórias semelhantes: a capacidade que sapos e príncipes têm de se metamorfosearem um em outro.
A primeira história que me vem sempre a cabeça é de uma amiga que em uma bela manhã liga-me contando que tinha conhecido um belíssimo príncipe. Ele era alto, atlético, esportista, inteligente, usava um cavanhaque, entendia de arte e gostava de cinema. Um mês depois ele era barrigudo, ignorante, não existia coisa mais brega que aquele cavanhaque ridículo que ele insistia em usar, tinha um mau gosto desgraçado, falava o que não devia na hora em que não devia, era péssimo no esporte que praticava e cinema só gostava mesmo dos blockbusters. Ele era uma tragédia em forma humana. Pra mim tudo isso era uma
comédia.Tenho uma amiga que não acredita em príncipes, para ela todos são sapos. E mesmo os que parecem príncipes ela move mundos e fundos para desmascarar o infeliz. Porque não é que ele tenha uma porção sapo, para ela todos são sapos em sua totalidade. Ela tenta "aceitá-los" assim, aproveitando para exercer seu sarcasmo e masoquismo.
Para uma outra todos são príncipes, mesmo que pareçam sapos. Ela tem fé. Na verdade os moçoilos acham que o sapo é ela. Após o primeiro beijo ela solta uma gosma pegajosa que tanto príncipes como sapos saem correndo na velocidade da luz. Tem também aquela que gosta mesmo é dos sapos, e eles nunca se transformam em príncipes. Ela adora um ogro.
Bem, sapos e príncipes não existem, assim como não existe perfeição. Isso tudo às vezes só pode ser resolvido com um psicanalista ou, quem sabe, uma boa dose de realidade.
Assinar:
Postagens (Atom)