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domingo, 8 de março de 2009

"Sem música a vida seria um erro"
F. Nietzsche

Dizem que a música é dionisíaca, ela não tem forma, molda-se aos sentimentos, desperta emoções, viaja no espaço e no tempo. A música é capaz de ligar nações e pessoas distintas, a música pode ser o que mais próximo conseguimos chegar do que sentimos por liberdade.
Acreditando no ideal da música como forma de buscar um mundo melhor para se viver , como forma de conectar povos e culturas, artistas e pessoas interessadas na música como forma de mudança criaram o "Playing for Change Foundation", um projeto social fantástico que se expande por diversas partes do mundo criando desde uma escola para jovens escritores em Johannesburgo, África do Sul, "The Melo Arts Center", até um centro para refugiados tibetanos em Dharamsala, na Índia, e outro em Katmandu, no Nepal.
O projeto ainda prevê a construção junto com os moradores locais de Gugulethu, África do Sul, de uma escola de música (Ntonga Music School) em que levará aos jovens informação e tecnologia como alternativa a violência local.


É dentro deste projeto que se insere o vídeo "Playing for Change: Peace Throught Music" co-dirigido por Mark Johnson e Jonathan Walls e que deverá ser lançado na primavera setentrional de 2009. Durante 3 anos eles percorreram quatro continentes com câmeras e um estúdio móvel de gravação atrás de inspiração musical. O que eles descobriram na sua jornada foi o poder da música de conectar pessoas, que se materializa quando colocam artistas que nunca se viram e espalhados pelo mundo para recriarem juntos músicas como "One Love" e "Stand by me".
Segue abaixo a interpretação de "Stand by me" de Ben E. King. É de arrepiar...




Artistas envolvidos no projeto:

De Los Angeles Keb' Mo' and Band, Chantz Powel, Lily Holbrook, Los Pinguos, Robert Bradley e Roger Ridley; em Zuni, ainda nos Estados Unidos, o Twin Eagle Drum Group; de Nova Orleans, Grandpa Elliot, Roberto Luti, Washboard Chaz e Willow; de Nova Iorque, Bradford Reed, Black and White, Floyd Lee, Henry Jones Trio e Inspiration.

Espanha: Los Batukeros de La Calle, Caesar Pope, Clarence Bekker, Dimitri Dolganov, Jairo, Manu Chao, Pierri Minetti, Django e The Saw Duo.
De Israel vem David Broza e The Nazareth Orchestra; assim como The Edward Said National Conservatory of Music vem da Palestina.

Da África do Sul : Afro Fiesta, Tyhundza, Joe and the Ganjamuffins, Louis Mhlanga, Vusi Mahlasela, Martin Machapa, Lesego Rampolokeng, King Boys, Phakama Africa e Sinamuva.

Exile Brothers, Jam Yang Tashi, Tipa, Tsering Gyurmey, Rajhesh Vaidhya e The Oneness Choir são artistas da Índia, enquanto Rodi Char, Sechen Monks, Hymalayan Sherpa Art Center, Sur Sudha e Surajkumar Thapa do Nepal.


Beijossssss

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

ESPORTE: muito além da atividade física.

Publicado na Revista Juice - Março/Abril de 2005

Três e meia da tarde de um dia de janeiro nublado. Um dia morno no mais amplo sentido da palavra... Um jovem cuja idade é indefinível em função das marcas de sofrimento estampada no rosto mulato e no olhar que nada vê, está sentado na calçada sobre o seu instrumento de trabalho: uma caixa para engraxar sapatos. Frente à morosidade do dia, a única solução que conseguiu encontrar foi colocar um saco plástico sob a camiseta surrada e inspirar a cola para preencher a falta que sente: de trabalho, de objetivo, de perspectivas. Anda pela calçada completamente sem rumo... refletindo a falta de rumo da sua vida particular. Como meio e fim da viagem: a cola de sapateiro.
E continuou ali, sentado, vendo a vida passar...
E quando dei por mim também estava vendo a vida passar, como um filme, na minha frente. Comecei a questionar-me sobre as oportunidades que a vida nos oferece e lembrei-me do discurso “todo-poderoso” de que ela está aí para todos. Mas a verdade é: as oportunidades estão aí para mim, para você, mas há muita gente que não tem o mínimo de acesso a outros mundos, outras realidades; muita gente que não tem acesso à informação, a cultura e ao lazer. E que talvez, também não esteja muito interessado nisto, porque ele não consegue pensar, pois toda vez que pensa, o estômago ronca e o instinto animal aflora de uma tal forma que se torna capaz de roubar ou até mesmo matar. Nem todos têm as oportunidades que tivemos, nem todos têm o acesso as informações que temos, e nem todos dentre os privilegiados têm consciência disto.
Uma vez li uma entrevista com o diretor de cinema Fernando Meirelles, onde ele declarava que a grande saída para o Brasil são os projetos sociais. Concordei com ele, se não há oportunidades então podemos criá-las. Esporte e projeto social tem tudo a ver!
Colocar a molecada para andar de skate, pegar onda, nadar, correr, enfim, independente do esporte, aumenta a auto-estima e de quebra ainda podemos descobrir um futuro talento esportivo. O grande objetivo não é descobrir grandes atletas, isto é conseqüência, o objetivo maior se centra em dar perspectivas para quem já não as tem, inserindo-as socialmente através do esporte. A partir da prática esportiva, a criança tem sua auto-estima revelada e a possibilidade da descoberta de uma profissão futura, na qual adquirirá reconhecimento social.
O jovem passa a descobrir a existência de outros mundos possíveis, o prazer da prática esportiva, do auto-conhecimento e da auto-estima, o prazer do lazer, do brincar e do grupo social. O esporte abre-se como o caminho para a construção de cidadãos responsáveis pela construção de sua própria história. Conscientes e com coragem de lutar pelos seus objetivos, por suas necessidades. É isso que precisamos, de pessoas com coragem de seguir em frente, com atitude perante a sua própria vida, perante as suas escolhas. Pessoas conscientes de que não basta ter apenas suas necessidades básicas atendidas, pois como o próprio nome já diz: são básicas , essenciais, indispensáveis. Ninguém quer apenas sobreviver, precisamos viver. Porque ninguém quer só ter comida, também queremos e necessitamos de diversão e arte!