Os Skrotes. Não, não há aí nenhum erro de digitação, eles são Os Skrotes. Se subverter a ordem das coisas fosse proibido, pelo menos na música nada mais original surgiria. Eles não tem nada a ver com o pop rock inglês, ou daqui há pouco o estão usando como mais um ingrediente na improvisada mistura psicodélica que fazem.
Pegue o jazz, misture com o rock, de uma salpicada com reggae, jogue uns sintetizadores, uma boa dose de funk setentista e uma pitada dos melhores ritmos brasileiros, ta aí, você tem “Os Skrotes”.
Surgidos em 2009 em um inferninho da capital catarinense tem chamado a atenção pela autenticidade e qualidade sonora do que criam. Entre recriações e canções próprias conseguem fazer muita gente sair de casa para vê-los tocar.
Se no início era improvisação pura, com a saída do antigo baixista e a chegada de Chico Abreu em seu lugar, a banda, que conta ainda com Igor de Patta nos teclados e Guilherme Ledoux na bateria, começou a se estruturar.
Das suas criações saiu um material que serviu de trilha sonora para um documentário realizado pela Vinil Filmes, o “Ilha 70”, lançado entre abril e maio deste ano e que aborda a cultura e comportamento de Florianópolis nos anos 70. Dessa parceria também sairá um DVD, que mostrará a banda trabalhando com diferentes produtores em diferentes estúdios, bem no estilo “mix-up”.
Suas influências são as mais variadas possíveis: vão de Ramones ao Funkadelic, passam pelos Beatles e Santana, bebem na fonte de Mile Davis, trocam idéia com Bob Marley e John Coltrane, absorvem os ensinamentos de Tchaicovsky, e por aí vai. É a pós-modernidade.
Eles querem provocar. Não tem letras, é tudo instrumental, indo bem ao encontro da proposta da banda, que é, segundo seus músicos, “não ter propostas, deturpar ou alterar lembranças e possibilitar vôos personalizados e livres”.
Em plena ebulição, os caras estão correndo atrás para corresponder o inesperado recebimento do público. Daqui há uns dois meses devem entrar em estúdio para gravar seu primeiro CD. Enquanto isso, o baterista Ledoux, que também é cineasta, prepara um vídeo experimental de média metragem, com aproximadamente 20 minutos, sobre a banda.
No mais, é acessar o http://www.myspace.com/osskrotes ou vir curtir um frio em Floripa e assim, aproveitar para chacoalhar o corpo na pistinha de algum inferninho em que os caras estejam tocando. É isso.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Simplesmente Ela
Ontem voltei completamente absorta pelo monólogo “Simplesmente eu, Clarice Lispector”; encenado, roteirizado e dirigido por Beth Goulart.
O cenário, a semelhança física, o texto, a fala ritmada, a iluminação.
A luz acende. Apaga. Quando vai reacendendo é como se abrisse uma sessão espírita (juro que não é deboche, ela realmente “incorpora”) e a atriz, de costas, levanta o braço com um cigarro aceso e o leva em direção a boca. Seu movimento é muito similar aos trejeitos da escritora. Arrepia.
O cenário parece contribuir para o clima de post-mortem. Seu fundo, formado de tiras brancas que, às vezes, pareciam prata ou cristal, remetia a um cenário “além da vida”.
Achei que a peça pudesse beirar a angústia, como sugeriu um amigo. Não era. A única angústia foi criada por um povo que não parava quieto e ficava desgrudando suas coxas de um couro antigo que balançava a cadeira e fazia: nhéc, nhéc, nhéc. Tenso.
O texto disseca Clarice, sua relação com a escrita e consigo mesmo. Em alguns momentos a atenção tem que ser excessiva, e você mergulha mentalmente palco adentro. São os trechos mais subjetivos, que precisariam ser lidos pelo expectador para serem melhor absorvidos. Mas é exatamente a necessidade da atenção excessiva que fornece o clima denso que caracteriza a obra.
A peça é um apanhado de trechos de textos e livros da escritora. Pelo trabalho, Beth Goulart recebeu o Prêmio Shell 2009 de melhor atriz. Nada mais justo.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Conte um conto
Funciona assim: a revista literária virtual Histórias Possíveis resolveu desafiar os leitores enviando uma imagem a partir da qual deveria ser escrito um conto. Eles já faziam isso, mas apenas com palavras. Agora o negócio literalmente mudou de figura.
A imagem da vez foi uma cena de um filme do Jean-Luc Godard, Bonde à Part, de 1964.
A imagem da vez foi uma cena de um filme do Jean-Luc Godard, Bonde à Part, de 1964.

Aceitei o desafio e o resultado foi meu conto, "O lado escuro da Alma", publicado na edição 58 da revista.
Para maiores informações sobre como participar clique aqui.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
50 Cent X Simon Reynolds
Tudo bem, vamos lá. Não sei se já começou, se já acabou, nem sei se foi. Deve estar acontecendo o show do 50 Cent na Passarela Nego Querido, aqui em Florianópolis. Chove demais, tá frio, e não tem programa pior para assistir - do que esse tal de 50 Cent - numa baía que pega o vento sul de frente.

Dizem que ele anda mais sociável, precisando de menos seguranças do que um "gangsta" precisaria. Esta no Brasil, em um turne para divulgação de um cd que se chama "Before I self destruction" de 2009, e prepara outro chamado "Black Magic", baseado na soul music de M
arvin Gaye e Curtis Mayfield. Não adianta. Adoro black music, qualquer uma, mas tem que ter "Ritmo".
Um show do 50 Cent remete diretamente para um texto do Simon Reynolds publicado na New Statesman em 1986. Crítico musical, Reynolds viveu uma era áurea para a opinião sobre o assunto. Escrevendo para diversos semanários e mensais, redige um texto que mistura o "no limits" de Lester Bangs com a fomalidade sociológica de Deleuze. Como resultado tem-se uma visão social da música, crítica bem separada nos dias de hoje do universo popular (capitalista soa muito chavão).
Bem, o texto. Em "Doente ou Doce: Hip-hop versus Indie Rock" Reynolds coloca o hip-hop como contestando o caminho que ele próprio segue: subir a qualquer preço, esbanjamento, sexo, violência, mulheres. Um gozo constante que camufla o autopreconceito.
Aí a gente começa a entender o porque o DJ do cara, o tal de Whoo Kid, faz declarações como as que fez. O que é difícil de entender são pessoas comprando uma realidade que não lhes pertence, como se fossem símbolo de status e sofisticação.
O que as músicas dizem não cabe a esse meio dizer, basta acessar o google e tirar suas próprias conclusões. Falta swing.

Dizem que ele anda mais sociável, precisando de menos seguranças do que um "gangsta" precisaria. Esta no Brasil, em um turne para divulgação de um cd que se chama "Before I self destruction" de 2009, e prepara outro chamado "Black Magic", baseado na soul music de M
arvin Gaye e Curtis Mayfield. Não adianta. Adoro black music, qualquer uma, mas tem que ter "Ritmo".Um show do 50 Cent remete diretamente para um texto do Simon Reynolds publicado na New Statesman em 1986. Crítico musical, Reynolds viveu uma era áurea para a opinião sobre o assunto. Escrevendo para diversos semanários e mensais, redige um texto que mistura o "no limits" de Lester Bangs com a fomalidade sociológica de Deleuze. Como resultado tem-se uma visão social da música, crítica bem separada nos dias de hoje do universo popular (capitalista soa muito chavão).
Bem, o texto. Em "Doente ou Doce: Hip-hop versus Indie Rock" Reynolds coloca o hip-hop como contestando o caminho que ele próprio segue: subir a qualquer preço, esbanjamento, sexo, violência, mulheres. Um gozo constante que camufla o autopreconceito.
Aí a gente começa a entender o porque o DJ do cara, o tal de Whoo Kid, faz declarações como as que fez. O que é difícil de entender são pessoas comprando uma realidade que não lhes pertence, como se fossem símbolo de status e sofisticação.
O que as músicas dizem não cabe a esse meio dizer, basta acessar o google e tirar suas próprias conclusões. Falta swing.
terça-feira, 13 de julho de 2010
"Dark Night of the Soul" - Sparklehorse, Danger Mouse & Lynch
Finalmente o "Dark Night of the Soul" atingiu a iluminação. Lengas lengas à parte (leia-se EMI),ontem foi oficialmente lançado o projeto multimídia de Mark Linkous (mentor do Sparklehorse e que se suicidou em março deste ano), Danger Mouse (Gnarls Berkley) e David Lynch. Sim, Lynch, o cineasta.O álbum ficou pronto em 2009, mas a EMI levantou problemas jurídicos e o trabalho não foi lançado. Apesar disso as músicas já circulam na internet há um bom tempo, disponibilizadas pelos próprios autores.
Inspirados pela poesia mística de São João da Cruz, frade carmelita do século XVI e cujo livro dá nome ao trabalho, Linkous e Mouse fizeram as letras e chamaram para cantar nada menos que: Iggy Pop, Suzane Vega, Wayne Coyne (Flaming Lips), Gruff Rhys (Super Furry Animals), Jason Lytle (Grandaddy), Julian Casablancas (Strokes), Jason Mercer (Shins), Black Francis (Pixies), Nina Persson (Cardigans), e Vic Chesnutt. David Lynch juntou-se ao grupo com um livro de 100 páginas com fotografias inspiradas na letras e que refletem o universo denso das músicas.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
Alice no País das Maravilhas - 1903
Enquanto se espera pela Alice de Tim Burton, a British Film Institute restaurou 8, dos 12 minutos, da primeira versão do filme, datado de 1903. Dirigido por Percy Stow and Cecil Hepworth, uma Alice totalmente muda dá vida à menina que há 37 anos só existia no papel.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Não me venha com chorumelas
Volta e meia vem alguém reclamar que nesta ilha não há nada para se fazer, que aqui não tem cultura, não tem teatro, não tem show, não tem balada, que é praticamente um fim de mundo. Lembro com um certo ar de nostalgia quando praticamente tínhamos um lugar apenas para ir e sabíamos ao certo o horário de chegada de cada pessoa. Mesmo nesta época éramos limitados pela nossa parca visão das alternativas, pois havia sim outros caminhos, e eles não levavam todos ao mesmo lugar.
Eu acredito sim que hoje Florianópolis pode regojizar-se com muitas de suas propostas. Logicamente não é uma São Paulo, mas também não é o interior de Angelina. Para quem se antena há programa de segunda a segunda, desde que você não queira tomar um suco de jaca ou comer um javali ao molho de kiwano às 2 horas da manhã de uma terça feira chuvosa. Na verdade a chuva não faz diferença.
Foi a Karla Francine que botou a pilha e lá fomos nós para a exposição do fotógrafo André Laus na Cor Galeria de Arte lá nas Rendeiras. Sim, nós temos uma galeria de artes nas Rendeiras. A exposição, chamada "Gimme a Break!" retratou os B-boys do "048 Crew" em suas peripécias corporais pelos cantos da cidade. Tivemos direito, inclusive, a apresentação de break dos meninos. Ainda rolou uns drinks com a dignidade de espantar qualquer nóia de Gripe A: uma mistura de gengibre, pimenta,morango, hortelã, suquinhos e a famosa vodka. Djiliça!!!!!
De lá, direto para o show do Dazaranha, que acho que já tá virando sócio da casa de shows. Mesmo assim, faça chuva, sol ou de tufão, os caras conseguem levar uma galera para os seus shows, mesmo sendo sempre igual.
Eu que ando me divertindo com o uso capião que ando fazendo da câmera da minha prima, filmei tudo, ou o que a minha paciência permitiu. Cada vez que isso acontece, Hollywood estremece. Entendeu, né?!?!?
Eu acredito sim que hoje Florianópolis pode regojizar-se com muitas de suas propostas. Logicamente não é uma São Paulo, mas também não é o interior de Angelina. Para quem se antena há programa de segunda a segunda, desde que você não queira tomar um suco de jaca ou comer um javali ao molho de kiwano às 2 horas da manhã de uma terça feira chuvosa. Na verdade a chuva não faz diferença.
Foi a Karla Francine que botou a pilha e lá fomos nós para a exposição do fotógrafo André Laus na Cor Galeria de Arte lá nas Rendeiras. Sim, nós temos uma galeria de artes nas Rendeiras. A exposição, chamada "Gimme a Break!" retratou os B-boys do "048 Crew" em suas peripécias corporais pelos cantos da cidade. Tivemos direito, inclusive, a apresentação de break dos meninos. Ainda rolou uns drinks com a dignidade de espantar qualquer nóia de Gripe A: uma mistura de gengibre, pimenta,morango, hortelã, suquinhos e a famosa vodka. Djiliça!!!!!
De lá, direto para o show do Dazaranha, que acho que já tá virando sócio da casa de shows. Mesmo assim, faça chuva, sol ou de tufão, os caras conseguem levar uma galera para os seus shows, mesmo sendo sempre igual.
Eu que ando me divertindo com o uso capião que ando fazendo da câmera da minha prima, filmei tudo, ou o que a minha paciência permitiu. Cada vez que isso acontece, Hollywood estremece. Entendeu, né?!?!?
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