Ela podia parar. Mas nunca foi a hora... Olhou o relógio. Só por hábito. Diminuiu os passos, tinha pouco tempo, mas sempre teve a liberdade de escolher. Não lembrava da noite anterior, mas também não parava para pensar, apenas contaram. Não lembra quem.
Olhou o relógio mais uma vez. Não sabe porquê, afinal, nunca se importou com o tempo. Ele que se preocupava com aquela que ele não conseguia dominar. Continuava tentando...
Talvez porque os alinhamentos cósmicos estivessem emanando energias exóticas, talvez porque tivesse bebido na noite anterior, talvez porque tivesse visto aquele programa inútil na televisão; ela se transformou.
Tornou-se inconsequente aos 30. Às dezoito horas e 30 minutos, algo incomodou. Algo. Sem definição. Jogou fora o contrato assinado consigo mesmo. Andou , andou, andou...dentro de si.
Resolveu sair. Alguma coisa queimava por dentro. E transformou em sarcasmo todas as palavras que expulsou pela boca. Mas ninguém escutou. Ela não deixou que escutassem.
Tinha consciência da acidez que corroia por dentro, e resolveu alimentá-la.
Foi em um restaurante mexicano, pediu tequila e alguma comida quente, muy caliente. Estava pronta.
Entrou no próximo bar. Descobriu que nada era como na noite anterior. Mas como havia sido a noite anterior? Onde havia estado? Aquela angústia ela já tinha jogado na lata de lixo de uma esquina qualquer. Não saber era só uma questão de bom senso.
sábado, 28 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
"Sem música a vida seria um erro"
F. Nietzsche
Dizem que a música é dionisíaca, ela não tem forma, molda-se aos sentimentos, desperta emoções, viaja no espaço e no tempo. A música é capaz de ligar nações e pessoas distintas, a música pode ser o que mais próximo conseguimos chegar do que sentimos por liberdade.
Acreditando no ideal da música como forma de buscar um mundo melhor para se viver , como forma de conectar povos e culturas, artistas e pessoas interessadas na música como forma de mudança criaram o "Playing for Change Foundation", um projeto social fantástico que se expande por diversas partes do mundo criando desde uma escola para jovens escritores em Johannesburgo, África do Sul, "The Melo Arts Center", até um centro para refugiados tibetanos em Dharamsala, na Índia, e outro em Katmandu, no Nepal.
O projeto ainda prevê a construção junto com os moradores locais de Gugulethu, África do Sul, de uma escola de música (Ntonga Music School) em que levará aos jovens informação e tecnologia como alternativa a violência local.
É dentro deste projeto que se insere o vídeo "Playing for Change: Peace Throught Music" co-dirigido por Mark Johnson e Jonathan Walls e que deverá ser lançado na primavera setentrional de 2009. Durante 3 anos eles percorreram quatro continentes com câmeras e um estúdio móvel de gravação atrás de inspiração musical. O que eles descobriram na sua jornada foi o poder da música de conectar pessoas, que se materializa quando colocam artistas que nunca se viram e espalhados pelo mundo para recriarem juntos músicas como "One Love" e "Stand by me".
Segue abaixo a interpretação de "Stand by me" de Ben E. King. É de arrepiar...Artistas envolvidos no projeto:
De Los Angeles Keb' Mo' and Band, Chantz Powel, Lily Holbrook, Los Pinguos, Robert Bradley e Roger Ridley; em Zuni, ainda nos Estados Unidos, o Twin Eagle Drum Group; de Nova Orleans, Grandpa Elliot, Roberto Luti, Washboard Chaz e Willow; de Nova Iorque, Bradford Reed, Black and White, Floyd Lee, Henry Jones Trio e Inspiration.
Espanha: Los Batukeros de La Calle, Caesar Pope, Clarence Bekker, Dimitri Dolganov, Jairo, Manu Chao, Pierri Minetti, Django e The Saw Duo.
De Israel vem David Broza e The Nazareth Orchestra; assim como The Edward Said National Conservatory of Music vem da Palestina.
Da África do Sul : Afro Fiesta, Tyhundza, Joe and the Ganjamuffins, Louis Mhlanga, Vusi Mahlasela, Martin Machapa, Lesego Rampolokeng, King Boys, Phakama Africa e Sinamuva.
Exile Brothers, Jam Yang Tashi, Tipa, Tsering Gyurmey, Rajhesh Vaidhya e The Oneness Choir são artistas da Índia, enquanto Rodi Char, Sechen Monks, Hymalayan Sherpa Art Center, Sur Sudha e Surajkumar Thapa do Nepal.
Para conhecer mais: http://www.playingforchange.com/
Beijossssss
segunda-feira, 2 de março de 2009
As "Préliminaires" de Iggy Pop
Cansado das guitarras Iggy Pop resolveu descambar para o jazz. Passou a escutar Louis Armstrong e outros jazzistas da antiga New Orleans, misturou com literatura e o resultado será o lançamento do álbum "Préliminaires" previsto para maio deste ano. As músicas foram inspiradas no livro "A Possibilidade de uma Ilha" do escritor transgressor francês Michel Houellebecq e feitas para um documentário (Last Words) sobre a tentativa do autor de transformar seu filme em livro.
Segue vídeo trailer do álbum.
Segue vídeo trailer do álbum.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Todo DJ vai ter que sambar
Hoje em dia todo mundo é dijai, desde aquele que produz até o reles trocador de discos, e o Senador Romeu Tuma (PTB – SP) não quis deixar de participar da festa. É de sua autoria o Projeto de Lei que tramita no Senado e que pretende regulamentar a profissão de dj, que passará a exigir, caso seja aprovada, diploma de curso profissionalizante reconhecido pelo MEC ou pelo Sindicato da Categoria. Sendo aprovado no Senado irá para a aprovação na Câmara dos Deputados e sanção do Presidente da República.
Apesar de oferecer vantagens a categoria como vínculo empregatício, definição das obrigações e direitos do empregado e empregador em contrato de trabalho e reconhecimento profissional, resta saber se há um real interesse da classe nessa normalização. Por enquanto parecem estar divididos.
. Tais exigências, no entanto, não serão impostas a dj’s estrangeiros, desde que não fiquem em território nacional por mais de 60 dias. Por falar nisso, a lei define também a obrigatoriedade de que em qualquer evento em território nacional, 70 % dos dj’s deverão ser brasileiros, enquanto a contratação de dj’s estrangeiros ficará submetida ao repasse de “10 % do valor do ajuste à Caixa Econômica Federal em nome da entidade sindical da categoria profissional.”
Logicamente uma lei como essa irá gerar burocracia e impostos para o exercício de uma profissão que, ao crescer, fez também crescer os olhos de quem talvez nem saiba dançar.
Imagine você se daqui a pouco começarem a exigir diploma para músicos, veremos então Chicos Buarque, Marisas Monte e uma infinidade de bandas que se fizeram na prática tendo que voltar a cadeiras escolares para continuar a exercer sua arte. Agora a pergunta que não quer calar: alguém já pensou em exigir diploma univeristário para exercer o cargo de Presidente da República?
Veja o Projeto de Lei na Íntegra no Diário do Senado Federal : Projeto de Lei do Senado nº 740, de 2007. (págs. 46699 a 46702)
http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/12179.pdf
Apesar de oferecer vantagens a categoria como vínculo empregatício, definição das obrigações e direitos do empregado e empregador em contrato de trabalho e reconhecimento profissional, resta saber se há um real interesse da classe nessa normalização. Por enquanto parecem estar divididos.
. Tais exigências, no entanto, não serão impostas a dj’s estrangeiros, desde que não fiquem em território nacional por mais de 60 dias. Por falar nisso, a lei define também a obrigatoriedade de que em qualquer evento em território nacional, 70 % dos dj’s deverão ser brasileiros, enquanto a contratação de dj’s estrangeiros ficará submetida ao repasse de “10 % do valor do ajuste à Caixa Econômica Federal em nome da entidade sindical da categoria profissional.”
Logicamente uma lei como essa irá gerar burocracia e impostos para o exercício de uma profissão que, ao crescer, fez também crescer os olhos de quem talvez nem saiba dançar.
Imagine você se daqui a pouco começarem a exigir diploma para músicos, veremos então Chicos Buarque, Marisas Monte e uma infinidade de bandas que se fizeram na prática tendo que voltar a cadeiras escolares para continuar a exercer sua arte. Agora a pergunta que não quer calar: alguém já pensou em exigir diploma univeristário para exercer o cargo de Presidente da República?
Veja o Projeto de Lei na Íntegra no Diário do Senado Federal : Projeto de Lei do Senado nº 740, de 2007. (págs. 46699 a 46702)
http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/12179.pdf
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Com a palavra, Don Juan
Retirado do livro "A Erva do Diabo", Carlos Castañeda
"Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem.
Devagar, ele começa a aprender... a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo os seus pensamentos entram em choque. O que ele aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa,
e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito torna-se um campo de batalha.E assim ele deparou com o primeiro de seus inimigos naturais: o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com a sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim a sua busca. ... nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de conhecimento. ... Não deve fugir. Deve desafiar o medo ... Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. ... seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. .... Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez de medo, ele adquiriu clareza ... um clareza de espírito que apaga o medo. ...
E assim ele encontra seu segundo inimigo: a Clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter elimina o medo, mas também cega. Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pod
e fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente.
e fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente.E ele é corajoso porque é claro e não para diante de nada porque é claro. Mas tudo isso é um engano, é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a este poder de faz-de-conta, sucumbiu ao seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem ... até acabar incapaz de aprender de aprender mais qualquer coisa. ... tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos.; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que a sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim terá vencido o seu segundo inimigo,...
Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando a tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está as ordens. Seu desejo é a ordem; vê tudo o que está em volta. Mas também encontrou encontrou o seu terceiro inimigo: o Poder! ... é o mais forte de todoso os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor.
Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar seu poder. ...
... Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. ... Se conseguir ver que a clareza e poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo estará controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo.
O homem estará então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a Velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar.
É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito ... um momento em que todo o seu poder está controlado. mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente ao seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round, e seu inimigo o conduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda a sua clareza, seu poder e sabedoria.
Mas se o homem sacode a sua fadiga, e vive o seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente."
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
ESPORTE: muito além da atividade física.
Publicado na Revista Juice - Março/Abril de 2005
Três e meia da tarde de um dia de janeiro nublado. Um dia morno no mais amplo sentido da palavra... Um jovem cuja idade é indefinível em função das marcas de sofrimento estampada no rosto mulato e no olhar que nada vê, está sentado na calçada sobre o seu instrumento de trabalho: uma caixa para engraxar sapatos. Frente à morosidade do dia, a única solução que conseguiu encontrar foi colocar um saco plástico sob a camiseta surrada e inspirar a cola para preencher a falta que sente: de trabalho, de objetivo, de perspectivas. Anda pela calçada completamente sem rumo... refletindo a falta de rumo da sua vida particular. Como meio e fim da viagem: a cola de sapateiro.
E continuou ali, sentado, vendo a vida passar...
E quando dei por mim também estava vendo a vida passar, como um filme, na minha frente. Comecei a questionar-me sobre as oportunidades que a vida nos oferece e lembrei-me do discurso “todo-poderoso” de que ela está aí para todos. Mas a verdade é: as oportunidades estão aí para mim, para você, mas há muita gente que não tem o mínimo de acesso a outros mundos, outras realidades; muita gente que não tem acesso à informação, a cultura e ao lazer. E que talvez, também não esteja muito interessado nisto, porque ele não consegue pensar, pois toda vez que pensa, o estômago ronca e o instinto animal aflora de uma tal forma que se torna capaz de roubar ou até mesmo matar. Nem todos têm as oportunidades que tivemos, nem todos têm o acesso as informações que temos, e nem todos dentre os privilegiados têm consciência disto.
Uma vez li uma entrevista com o diretor de cinema Fernando Meirelles, onde ele declarava que a grande saída para o Brasil são os projetos sociais. Concordei com ele, se não há oportunidades então podemos criá-las. Esporte e projeto social tem tudo a ver!
Colocar a molecada para andar de skate, pegar onda, nadar, correr, enfim, independente do esporte, aumenta a auto-estima e de quebra ainda podemos descobrir um futuro talento esportivo. O grande objetivo não é descobrir grandes atletas, isto é conseqüência, o objetivo maior se centra em dar perspectivas para quem já não as tem, inserindo-as socialmente através do esporte. A partir da prática esportiva, a criança tem sua auto-estima revelada e a possibilidade da descoberta de uma profissão futura, na qual adquirirá reconhecimento social.
O jovem passa a descobrir a existência de outros mundos possíveis, o prazer da prática esportiva, do auto-conhecimento e da auto-estima, o prazer do lazer, do brincar e do grupo social. O esporte abre-se como o caminho para a construção de cidadãos responsáveis pela construção de sua própria história. Conscientes e com coragem de lutar pelos seus objetivos, por suas necessidades. É isso que precisamos, de pessoas com coragem de seguir em frente, com atitude perante a sua própria vida, perante as suas escolhas. Pessoas conscientes de que não basta ter apenas suas necessidades básicas atendidas, pois como o próprio nome já diz: são básicas , essenciais, indispensáveis. Ninguém quer apenas sobreviver, precisamos viver. Porque ninguém quer só ter comida, também queremos e necessitamos de diversão e arte!
quarta-feira, 30 de julho de 2008
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